O
vento sudoeste começara a soprar forte três dias antes do fim
de semana, sinal de mais uma frente fria, “made in Argentina”,
chegando à região. Os sites de previsão climática
também estavam fracos no quesito otimismo, indicando probabilidade
de chuva de humildes 99%, índice pluviométrico significativo,
e 100% de umidade relativa.
Boas chances de rolar uma chuva no fim de semana, eu diria.
Mas, como o jeito XDIVERS de ser prega a diversão acima de qualquer clima, lá fomos nós para conhecer o maior live aboard navegando em águas tupiniquins, o ANTARES!
Normalmente baseado em Paraty, na Marina Píer 46, desta vez o Antares foi encontrar nosso grupo em Angra dos Reis. Fique por dentro das principais características da embarcação:
- 96 pés, 3 andares;
- 12 cabines fechadas com portas e vigias de ventilação, 6
banheiros, cozinha, sala de estar e jantar, televisão com dvd, som
ambiente, lounge superior, solarium;
- 4.000 l de água doce, água quente para banhos;
- Cabine para staff;
- 27 passageiros mais 7 tripulantes;
- Praça de mergulho ampla e funcional;
- Compressor e cascata;
- Serviço de bordo de qualidade;
- Tripulação profissional;
- Bote de apoio.
A razão do tamanho e das atrações? O Antares circula numa região conhecida mundialmente não só por suas belezas naturais, mas também por um generoso índice pluviométrico. Com este cenário, a Equipe do Antares deu um capricho especial na garantia da diversão e conforto de seus clientes. Chova ou faça Sol, literalmente.
E choveu, nossa como choveu! Na ida para Angra, havia nuvens pretas por todos os lados, mas nenhuma gota de chuva. O último carro chegou por volta das 20h30 e, meia hora depois, todos estavam a bordo do Antares, conhecendo suas instalações.
O
grupo era de perfil Avançado para cima, a grande maioria composta
por mergulhadores fanáticos. E com essa qualidade de mergulhador,
não deu outra... Abrigados na ponta da Jipóia, para passar
a noite de sexta, não demorou pra uma meia dúzia de malucos
cair numa água quentinha, 24 graus. Objetivo do mergulho? Ir pra
debaixo do barco regular o equipamento, fazer bolha, vocês escolhem.
Chegando ao fundo, encontramos um lodo viscoso mais quentinho ainda, que
algum engraçadinho fez questão de jogar uma boa quantidade
para cima, como se fosse confete em carnaval de rua. Ainda estamos apurando
de quem foi a autoria desse ato terrorista. Seguiram-se vinte e poucos minutos
de um show de bioluminescência, navegação às
escuras e esculturas no lodo.
E estava apenas começando.
Dia seguinte com aquele tempo fechado e vento gelado. A praça de mergulho parecia uma cidade fantasma, com todos apinhados no lounge da embarcação. Às 07h30, o barco já iniciara a travessia para a Ilha Grande. Apesar do clima de poucos amigos, o mar deixou o nosso café bem tranqüilo, sem muitos sacolejos. E foi assim por todo o dia.
Os
pontos de mergulho no sábado foram:naufrágio do Vapor Califórnia,
Laje Branca, Naufrágio do Pinguino, cada vez mais castigado, encerrando
o dia num noturno na Ponta Grossa. Agua mantendo sempre os 23 graus, e visibilidade
indo dos 8 metros ao metro e meio. Muita vida, algumas correntes aqui e
ali e, principalmente, muita água quente jogada pra dentro da roupa
nos intervalos de superfície.
Aliás, a praça de mergulho localizada na popa do Antares merece um parágrafo particular. Parcialmente fechada, ao contrário das equivalentes encontradas no mercado, obtivemos uma proteção extra em relação ao vento frio que soprou sem parar no sábado. Prateleiras no local garantiam o estoque quase que infinito de chocolate quente, chá e café preto. Uma bacia estratégica, agilmente recarregada com água quente, era o ponto forte dos intervalos de superfícies - a cena lembrava moradores de rua em volta de um barril com fogo, bastante melancólico por sinal... Os cilindros eram recarregados rapidamente, sem nem precisar tirar o colete equilibrador, voltávamos para a água com ele ainda quente.
Terminamos o sábado com mais uma refeição caprichada do Chef Mabell. Aliás, refeições fartas, variadas e balanceadas, adaptadas a qualquer tipo de dieta. De barriga cheia, todos foram para seus devidos camarotes, recarregar as baterias para o dia seguinte.
No
domingão, quem aparece? Ele mesmo, o Sol. Ainda meio tímido
pela manhã, ele pôde testemunhar o início das atividades
na Lagoa Verde, ponto de mergulho bem tranqüilo, bom para alongar as
nadadeiras. Enquanto isso, o Solarium, último andar do barco que
até então se encontrava fechado, começava a ser desbravado
principalmente pela ala feminina do grupo.
As meninas merecem uma menção honrosa. Sabemos que o frio é mais significativo para elas, são mais suscetíveis às baixas temperaturas. Mas nossas eternas musas não deixaram barato. Mergulhando aqui e ali e dominando totalmente o lounge do barco com muita animação, jogatina e alto astral. O Sol foi um reconhecimento mais que merecido.
Bronze garantido, saímos das águas abrigadas da Ilha pra fazer um dos mergulhos mais famosos da região, Parcel do Coronel. O Parcel é daqueles mergulhos com relevos únicos, fluxos e refluxos constantes na mais leve brisa, onde diversão e adrenalina são parceiros constantes. Lógico que, com a gente, não foi diferente. Os corredores labirínticos do Parcel mais uma vez serviram para fechar em grande estilo a viagem.
Esse passeio foi nosso test-drive com o live aboard Antares, e com certeza esse tempo esquisito veio a calhar, por mais que vocês, meninas, e alguns friorentos estejam me xingando agora. A grande característica defendida pela tripulação do Antares é o conforto para mergulhadores e pessoas normais, independente do clima. A situação não poderia ter sido melhor para avaliar tal quesito. Nós fomos, mergulhamos, trememos um pouco fora d’água, tudo bem, nos molhamos acima e abaixo da superfície, tudo bem, mas tivemos conforto, comodidade tanto nas operações como nos momentos de folga (se é que dá para distinguir um do outro), e uma viagem que com certeza entrará no disputadíssimo calendário XDivers.
Acompanhem as fotos
da viagem, percebam que ao contrário da maioria de nossas
galerias, temos muito mais fotos fora do que dentro d’água.
É a prova incontestável de que no Antares aquela máxima
que diz “o que importa numa viagem é o grupo” fica muito
mais aparente.

Flavio Olivier
Instrutor
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