Fernando de Noronha....
(suspiro)
Está
para nascer e se certificar o mergulhador que não
fique de coração mole por este arquipélago.
Mesmo aqueles mais “cascudos” não conseguem resistir
ao magnetismo de Noronha. Água quente e clara, fauna
rica e sempre presente, mergulhos diversificados e um relevo
de dar inveja ao Grand Canyon são motivos que fazem valer a pena
um pulo por lá, por mais breve que seja.
Imagine agora todo esse paraíso como apenas uma das atrações
de uma viagem inteiramente voltada ao mergulho... Imaginou?
Agora pegue todas essas características e adicione um Catamarã
de 75 pés, novinho em folha, que consegue reunir em total harmonia
uma pousada aconchegante, um restaurante de primeiríssima qualidade
e uma operadora pronta a atender os mergulhadores mais
perturbados que puder imaginar. Seja bem-vindo ao live aboard
mais moderno do Brasil.
Estou falando do ATLANTIS ENTERPRISE, a mais nova aquisição
da Atlantis Divers,
a maior e mais bem estruturada operadora de mergulho no
Brasil. Projetado para atender até 27 mergulhadores
com oito suítes climatizadas, salão espaçoso para refeições
e lazer, um relaxante solarium com espreguiçadeiras e redes para
garantir o “bronze” e, senhoras e senhores, a área de
mergulho mais bem equipada encontrada no litoral brasileiro.
Dotada de compressores de alto desempenho, cascatas de ar, oxigênio
e hélio, duplas, cilindros de 11 e 15 litros, stages, tanques de
água doce para máquinas e outros eletrônicos, excelentes
escadas de inox e muito mais. Segundo palavras precisas do Instrutor
Maurício de Carvalho,
"oferece boa acomodação até para a "tralha"
dos mergulhadores técnicos".
LIVE ABOARD ATLANTIS ENTERPRISE
- NATAL-NORONHA-NATAL
Tripulação - 07 / Passageiros - 08
Dia 19/04 - Chegada a Natal/RN:
Dos oito passageiros, somente eu cheguei um dia antes (18) devido à
agenda da escola de mergulho XDivers e horário de
vôo. Representando a cidade maravilhosa comigo, chegou o casal de
foto sub mais bem entrosado que conheci dentro e fora d'água: Augusto
Valente e Suzane Araujo. O restante veio da terra da garoa, SP, uma trupe
pra lá de animada, representantes oficiais e legítimos da
SCAFO: a dupla Hélcio e Élcio (de mergulho,
não sertaneja), Edu, Alfredo e Murilo encabeçando a equipe.
Se houve alguém responsável pela animação e
ritmo frenético, além da tripulação, esses caras
são os culpados.
Chegando ao Aeroporto Augusto Severo, fomos todos recepcionados pelo Nico,
Instrutor Trainer PDIC,
figura lendária do nosso mergulho tupiniquim, um
daqueles caras que Jacques Cousteau praticamente carregou
no colo. Após apresentações e reencontros, fizemos
um rápido tour de van por Natal até chegar à Marina.
No fim da tarde estávamos a bordo, conhecendo os aposentos e o resto
do Enterprise, tudo isso segurando o queixo. Devidamente
instalados, fomos para o segundo andar da embarcação, onde
se localizam a ponte, a cozinha, o salão e a varanda de popa, ponto
mais disputado do barco, depois da cozinha, é claro. No salão,
fomos recepcionados com deliciosos drinks, carinhosamente preparados
pela Chef Adriana Sala que, desde o início,
mostrava sinais de que as atrações da viagem não seriam
relacionadas apenas com o mergulho. Logo em seguida, um bate-papo sobre
a viagem e a embarcação com o Capitão
Nico e Ricardinho, nosso guia de mergulho. Fechamos a primeira
noite no Enterprise com um jantar hollywoodiano,
e todos foram para seus respectivos camarotes esperando o dia seguinte para
zarpar.
Dia 20/04 - Partindo de Natal
Por
volta das 06h00, acordamos com um leve ronco de motor, era a tripulação
preparando o barco parar zarpar. O último tripulante já estava
a bordo, Mestre Djalma. Outra peça histórica presente na viagem,
Mestre Djalma é da época em que temperatura da água
se sabia de acordo com o arrepio no pescoço da gaivota. Sem exagero.
Esta seria a penúltima viagem da temporada. Estávamos próximos
da época de mar agitado e começamos a viagem sentindo isso
na pele. Mesmo com o fato de o Enterprise ter mais estabilidade
que barcos de um casco, um ou outro passageiro ficou trocando de cor por
um tempo.
Às
nove da manhã, primeiro mergulho! Localizado a 30
milhas da costa de Natal, encontra-se o Batente das Agulhas,
um mergulho perfeito para se "aclimatar" com
o equipamento e com o ritmo de operação
do barco. A atração principal e o motivo do nome do local
são as formas colunares encontradas no relevo. Um cenário
tão inusitado que só com fotos para tentar explicar. Barco
no ponto, Ricardinho na água fixando a bóia com seu cabo de
descida e o tão esperado ok. Profundidades que variam dos 10 aos
18 metros, visibilidade acima dos 20 metros e água já nos
28 graus. Devido à claridade da água, ciliares
em peso ficaram mais coloridos que o normal. Navegar em torno das colunas
e pequenos túneis é diversão garantida.
comprimento
encontra-se semi-inteiro, com peças interessantíssimas para
serem observadas. Mesmo com uma corrente moderada, pude curtir o navio de
ponta a ponta, observando caldeiras, hélice, um enorme motor a vapor
despontando verticalmente do fundo e muita vida. De cardumes de frade-real
a lambarus tirando um cochilo. Destaque para um cardume de enxadas muito
bem sincronizado, um espetáculo à parte.Dia 21/04 - Chegando a Noronha
Por
volta das 06h da matina, acordo com batidas na porta. Era o Ricardinho perguntando:
"Vai um mergulhinho no azul?", e então disse "Tô
fazendo nada... vamos lá...". Chegando à popa, já
estava todo mundo no agito para cair na água. O casal Augusto e Suzy
ficou no barco, já que um mergulho no azul não
é tão interessante para o tipo de fotografias que estavam
procurando. No OK do Nico, todo mundo pra água. Estávamos
passando por cima de um local chamado "Banco Sueste",
ponto culminante de uma montanha submersa, coberta por uma areia mais branca
que roupa de propaganda de sabão em pó. Seu topo ficava a
45 metros de profundidade, e descemos até lá para sentir o
clima desse cenário lunar. Começamos a subir seguindo o ritmo
do computador e seguindo a bóia com seu cabo à deriva que
descia até os 42 metros. Alguns xaréus, barracudas aqui e
ali e outros peixes de passagem. Depois, voltamos para o Enterprise,
com aquele café da manhã esperando por nós.
Passamos
por diversas cortinas de chuva durante a navegação, chamadas
de "pirajás" e, exatamente assim, vimos o Morro
do Pico despontando no horizonte. Por volta das 14h, chegamos a
Fernando de Noronha. Era minha primeira vez por lá,
e o comentário que ouvi repetidas vezes de quem já esteve
por lá era de nunca ter visto a ilha tão verde.
Assim que fundeamos no porto, o Enterprise deixou de ser
barco para virar uma espécie de nave-mãe. Devido ao tamanho
da embarcação, nosso live aboard
não pode navegar pelo parque marinho. A partir desse ponto, todos
os nossos mergulhos seriam feitos pelo catamarã
Explorer, da Atlantis,
comandado pelo Mestre Milson.
Almoço feito e Explorer encostado a contrabordo,
vamos mergulhar. Aproveitando o bom humor do vento, fomos
para o mar de fora, rumo direto a Pedras Secas, um dos
pontos mais belos de Noronha. Numa profundidade máxima
de 17 metros, cânions, pequenos túneis, arcos fantásticos
e presença garantida de arraias, tubarões e tartarugas.
Para mim, não poderia ter melhor cartão de visita. Para fechar
o dia, noturno na Ressurreta. Enseada calma de água
e movimentada de vida marinha. Todos num drift muito leve, fazendo
com que nossa brincadeira durasse por um bom tempo.
Dia 22/04 - Segundo dia
Ah
a sensação de acordar, olhar pela escotilha e se lembrar "Ah
é, estou em Noronha!..."
Por volta das 08h30 da manhã já estávamos navegando
a toda rumo ao mar de fora, mais precisamente a Iuias,
um dos pontos de mergulho mais belos do parque, parecido
com Pedras Secas. Um enorme acúmulo de rochas criando
uma série de corredores e pequenas cavernas, chegando a uma profundidade
máxima de 24 metros. Composição perfeita entre ciliares
e grandes peixes. Daí, partimos para um pequeno
intervalo de superfície nas águas tranqüilas da Bacia
Sueste, partindo
logo
após, com o mar de fora um pouco mais agitado, para o Cabeço
Submarino. Na descida fomos abordados por curiosas barracudas,
que nos escoltaram até a chegada aos 25 metros, base do Cabeço.
Peixes de vários portes durante todo o mergulho,
fora um pomposo cardume de sargentinhos no fim do passeio,
que mais parecia uma parada militar. Mergulhadores no barco
e sorriso na cara, hora do almoço no Enterprise.
À tarde, fomos para o mar de dentro, mais agitado que o normal, mais
precisamente para a Laje Dois Irmãos. Como ainda
não tínhamos avistado nenhum tubarão bico-fino,
esperávamos reverter a situação num dos principais
pontos de avistamento da espécie. Profundidade máxima de 20
metros durante o mergulho, a Laje não deixou barato
comparada aos outros mergulhos. E, no fim, como se marcado
previamente, um bico-fino guiando a turma para o fim do mergulho,
uma área plana coberta de pequenas pedras na mesma areia branca que
serve de pano de fundo para todos os pontos de Noronha.
Ao subirmos, a água estava tão mansa que a impressão
que tivemos foi de mergulhar em Noronha
e subir em Paraty.
Fechando
o dia com chave de ouro, o segundo noturno da viagem: Caverna da
Sapata. Iniciamos o mergulho nos 18 metros, mesma
profundidade da boca da caverna. Após uma breve navegação
de costão, demos de cara com uma enorme mancha preta a nossa direita,
denunciando a entrada da caverna. Duas arraias posando
de porteiros, e um mero desfilando na parte interna da caverna. O grande
barato neste ponto foi entrar uns 8 metros na caverna e olhar para a entrada,
vendo uma grande moldura negra com uma mancha azul no meio, graças
ao luar que fazia naquela noite, pura magia.
23/04 - Terceiro dia
Fernando
de Noronha amanheceu meio cabreira, indicando que o dia poderia
ser molhado acima d'água também. Fomos fazer um repeteco em
Pedras Secas e, logo em seguida, a Pedras Secas
2, ponto que nenhum dos integrantes do passeio tinha visitado antes.
Não interessa quantas vezes você vai lá, o espetáculo
sempre é diferente e cada vez melhor. No fim do mergulho,
passando por fora dos corredores do lugar, sentimos uma forte corrente que
dificultou um bocado nosso retorno ao ponto de saída. Ao subirmos,
a surpresa: chuva torrencial, ondulações de meio metro e uma
neblina chegando ao longe que daria para ser cortada com uma faca de mergulho.
Graças às manobras de mestre Milson, todos retornaram ao barco
sem muito atraso.
Encurtamos
ao máximo o intervalo de superfície, já que ninguém
queria ficar sacudindo lá por cima por muito tempo, e voltar para
o Enterprise estava fora dos planos. Assim que os computadores
deram uma folga boa, mais uma manobra tranqüila do mestre, e já
estávamos todos passeando pelas formações de Pedras
Secas 2. Apesar de ser um pouco menor que sua antecessora, não
ficou para trás na questão de relevos incríveis e passagens
ricas em vida e em refluxos, transformando áreas em verdadeiras máquinas
de lavar, aumentando a diversão.
De
tarde, deixamos os equipamentos de folga, assumimos a condição
oficial de turistas e fomos dar um "rolé" na ilha. Chance
para conhecer ou rever o resto da trupe da Atlantis.
Simpatia e profissionalismo devem ser itens obrigatórios no currículo
de quem quer fazer parte da equipe.
24/04 - Quarto dia
Ricardinho
amanheceu meio amuado, alguma virose tinha acabado de derrubar nosso guia
de mergulho. Enquanto ele ficou de resguardo, nossos passeios
foram supervisionados sem problemas pelo Juarez. Nesse dia, íamos
fazer o tão esperado mergulho no Cabeço
da Sapata, saindo dos 42 metros de profundidade e chagando aos
5 metros, ponto de choque da Corveta V-17 Ipiranga, culminando
em seu naufrágio. Descida rápida para evitar
algum deslocamento de corrente que nos afastasse do objetivo, fomos recepcionados
no fundo pelo segundo bico-fino da viagem. Na base do Cabeço, vimos
a famosa rachadura, um túnel de uns 4 metros de comprimento com largura
suficiente para passar um mergulhador. Saindo dele, começamos
a subida em espiral ao redor do Cabeço, rumo à superfície.
Engarrafamento de peixes e outras criaturas "subnoronhenses" comprovaram,
realmente, ser um dos melhores mergulhos do arquipélago.
Logo
após retornamos à Caverna da Sapata. Após
mais um passeio na caverna em si, com direito a foto do grupo com a bandeira
do Brasil, demos um pulo rápido aos 27 metros para
ver o jardim de enguias do local. Apesar de estarmos a
alguns dias em Noronha, não cansávamos de
nos embasbacar com a beleza do lugar. No resto do dia, resolvi dar mais
um passeio na Ilha e conhecer melhor as instalações da Atlantis,
em companhia do Murilo e do Capitão Nico. O resto do pessoal foi
fazer bolhas nas Caieiras, Buraco das Cabras e um Noturno em, nada mais
nada menos, que Pedras Secas. Relatos de fontes fidedignas
indicaram a presença de 46 arraias no local, juntas.
25/04 - Quinto dia
Chegou o grande dia, mesmo depois de quatro ótimos dias anteriores.
Batismo Tek no naufrágio mais incrível
do país, Corveta V-17 Ipiranga. Não só
foi o mais incrível, como também o mais sossegado. Além
de ser o único mergulho que fizemos com barco desligado,
o mar estava completamente anestesiado durante toda a imersão. Guiados
por Ismael e Juarez, todos caíram com Trimix 20-20,
mais um stage com Ean 50 para troca na subida
aos 21 metros. Acompanhando o cabo de descida, fomos diretos aos 57 metros
para encontrar o hélice de boreste e um badejão tímido,
que se mandou assim que chegamos à sua casa. Lá, já
estava nos aguardando a Suene, fotógrafa da equipe, contratada para
documentar todo o mergulho. Sábia decisão! Pudemos curtir
o naufrágio enquanto ela tirava fotos espetaculares.
Do hélice subimos ao convés de popa, nos dirigindo para a
proa via costado de boreste. Cada escotilha uma surpresa! Chegando à
proa, a grande atração do local: o canhão de proa de
105 mm, adornado com dezenas de esponjas. Após cumprimentar uma moréia
verde na buzina de proa, fomos por bombordo em direção à
ponte de comando, no deck superior do barco. Entrar naquele ambiente, com
painel de rádio, telégrafo de máquinas e outras estruturas
espetaculares, nos fez voltar até 1983, ano em que a Corveta
foi a pique. Aliás, todo o naufrágio passa
a impressão de que foi "estacionado" ali no dia anterior,
parecendo que a qualquer hora irá navegar, tal qual um submarino.
Após
20 maravilhosos minutos de fundo, começamos uma subida de quase 30
minutos rumo à superfície. Era hora de partir, tínhamos
fechado Noronha com chave de ouro. Despedidas da equipe
de Noronha e da própria, o Enterprise
roncou mais uma vez, apontando para o continente e deixando aquele paraíso
para trás, até a próxima visita.
26/07 - De volta a Natal
Tivemos
uma navegação de retorno bem mais tranqüila, com menor
ondulação e mais Sol. Os mergulhos em
Fernando de Noronha tinham acabado, mas, como disse na primeira
página, era apenas uma parte da viagem. Logo de manhã, Mestre
Djalma passou o timão e foi fazer uma pescaria. Não demorou
muito para um belo dourado parar em nosso deck de popa. Às sete e
pouco da manhã, estávamos em cima do ponto mais esperado na
etapa final da viagem: o naufrágio Cmdte. Pessoa.
Localizado dos 22 aos 23 metros, o navio se encontra em dois pedaços
distintos. Da meia-nau até a popa, o navio encontra-se deitado sobre
seu costado de boreste, com seu leme projetado para a superfície,
num ângulo aproximado de 45 graus. Nesta parte do navio, há
um belo ponto de penetração, entrando no meio do casco e saindo
por outro um pouco menor mais à popa. A parte referente à
proa está bem mais desmantelada, mas ainda permite observar grandes
peças do cargueiro: guincho, diversos cabeços, uma grande
âncora Hawkins, que ainda se encontra recolhida no casco. Imensa quantidade
de vida, incluindo algumas arraias e uma tartaruga-de-pente nem
um pouco tímida, não largou do nosso pé uma boa parte
do tempo, amigo Alfredo que o diga! Tudo isso sobre uma enorme quantidade
de esponjas tubulares, salpicadas em todo o naufrágio e à
sua volta.
De volta ao deck de mergulho do Enterprise,
não demorou mais que alguns segundos para que todos decidissem fazer
um segundo mergulho no Cmdte. Pessoa.
Enquanto isso, fizemos um intervalo de superfície na disputada varanda
de popa. Quem estava esperando por nós? O dourado em rodelas, muito
bem temperado com uma farofa caprichada. Alguns limões espremidos
depois, hora de voltar aos destroços. Dessa vez, levei a lanterna
junto, para tentar achar um Mero que costumava ser visto perto do naufrágio,
e a grande chance seria no interior da casa de máquinas. De volta
ao naufrágio, a turma se dirigiu à proa,
e eu fui atrás do tal Mero. Dentro da popa, não demorei a
sentir que estava sendo observado. Não deu outra, o "peixinho"
estava dentro de um
compartimento
na direção da quilha, visto por um buraco que só mostrava
sua boca grande. Após os dois se recuperarem do susto, mais eu do
que ele com certeza, saí desembestado do casco para achar alguma
testemunha. Achei Murilo a meia-nau, que depois que viu meus sinais que
pareciam mais uma convulsão, acabou me seguindo para dentro do casco.
Sorriso do Mero conferido e testemunhado, soltei o deco mark
e iniciei a subida feliz da vida.
Hora de fazer o último mergulho da viagem. Fomos
ao responsável pelos naufrágios do
São Luiz e do Cmdte. Pessoa: Risca
do Zumbi, formação onde se chocaram ambos os cargueiros.
Muito parecida com o Batente das Agulhas, com uma senhora
diferença: uma enorme laje apoiada por diversas colunas, que formavam
um labirinto interessante a 12 metros de profundidade, com inúmeras
passagens para exploração. Tanto dentro como na parte de fora,
tivemos a nítida impressão de estar num gigantesco aquário,
devida à presença maciça de ciliares.
Terminamos esse mergulho exatamente como terminamos todos os anteriores:
com gosto de quero mais e o desejo de voltar o mais breve possível.
Nessa noite, já estávamos de volta à Marina de Natal.
De volta à terra firme, fizemos o encerramento oficial com um senhor
jantar!
CONCLUSÃO
Foi
sem dúvida uma viagem de estréias. Primeiro mergulho
fora do estado do Rio, primeira vez num live
aboard, primeira vez em Noronha, primeiro
tek, e por aí vai. Durante sete dias, aprendi o que muita gente não
tem chance em meses, não só nos mergulhos,
mas principalmente no pessoal. Foi aí que a riqueza da viagem imperou.
Deu gosto ver uma equipe bem treinada, fazendo parecer fácil uma
operação que certamente não é tão simples
assim. A galera do mergulho foi a outra porcentagem responsável
pelo sucesso da viagem. Animação, simpatia e disposição
a toda hora, sem parar.
Mas,
sem dúvida, os grandes astros foram o Mar e o Enterprise.
Seja com água parada ou ao sabor da corrente, os pontos estão
preparados para satisfazer qualquer perfil de mergulho,
qualquer certificação, ninguém fica de fora. Um live
aboard do nível que presenciei veio para ficar e abrir
caminho para outros grandes projetos que estejam no papel no momento, prontos
para virar realidade.
Um enorme obrigado acompanhado de um parabéns para:
- Nico e Mestre Djalma, por conduzirem todos na mais perfeita
paz e segurança;
- Ricardinho por tomar conta de tanta “criança” debaixo
d'água, sujeito que todo profissional de mergulho
quer ser quando crescer;
- Adri por nos mostrar o que é comer bem. Voltar pra casa e reencontrar
os pacotes de miojo foi muito triste. Muito mesmo!;
- Eudes, Josi e Jackson, sempre prontos a suprir qualquer necessidade do
pessoal, sem que eles mesmos percebessem;
- Vivian e equipe de Natal, parte essencial em fazer viagens desse porte
acontecerem;
- Ricardo "Urso", Mestre Milson, Juarez, Ismael e equipe Atlantis
de Noronha, profissionalismo à altura do lugar;
- Patrick Muller, por juntar todos esses talentos numa
só família, e com eles colocar em prática excelentes
idéias;
- Augusto Valente e Suzane pela companhia e imagens incríveis! Só
com muito talento para conseguir potencializar uma beleza de um lugar que
já é tão maravilhoso;
- Seleção da SCAFO: Murilo, Hélcio,
Edu, Élcio e Alfredo. Acrescente está fórmula em qualquer
viagem, em qualquer mergulho, e o sucesso é garantido.
E claro,
Família XDivers, por me deixar fazer parte desse grupo de loucos pelo mergulho. Hospício igual ao nosso não tem melhor. Mesmo.
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